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Os dentes, por Dom Quixote de La Mancha

Essa eu li lá no Livros e Afins:

Eis que, no capítulo XVIII do livro I de O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha, depois de uma malfadada aventura do assim conhecido Cavaleiro da Triste Figura, em que ele perde alguns dentes após levar uma surra, encontramos o seguinte diálogo:

— (…) vê bem quantos queixais me faltam deste lado direito no queixo de cima; ali é que me dói.

Meteu Sancho os dedos, e, estando a apalpar, lhe disse:

— Quantos queixais costumava Vossa Mercê ter deste lado?

— Quatro — respondeu D. Quixote — afora a presa; todos inteiros e muito sãos.

— Olhe Vossa Mercê bem o que diz, senhor — respondeu Sancho.

— Digo quatro, se não eram cinco — respondeu D. Quixote — porque em toda a minha vida nunca me tiraram dente da boca, nem me caiu nenhum, nem me apodreceu.

— Pois nesta parte de baixo — tornou Sancho — não tem Vossa Mercê senão dois queixais e meio; e da parte de cima nem meio, nem nenhum; está tudo raso como a palma da mão.

— Desventurado de mim! — disse D. Quixote, ouvindo as tristes novas que o seu escudeiro lhe dava — antes quisera que me tivessem deitado abaixo um braço (uma vez que não fosse o da espada); porque te digo, Sancho, que boca sem queixais é como moinho sem mós; e muito mais se há-de estimar um dente, que um diamante. (…)

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